quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Sem Fôlego (Abbi Glines)

Não é segredo para ninguém que Abbi Glines é um grande prazer culposo meu, o famoso guilty pleasure, que é usado para definir livros, filmes e outras coisas assim que, apesar de execradas por crítica e boa parte do público, têm um lugar especial no coração do espectador ou leitor. Eu já li todos os quatorze livros da série Rosemary Beach e li também, mais recentemente, outros livros da autora que me surpreenderam demais (Existência e No Meu Sonho te Amei). Mas precisamos falar a verdade aqui, os livros da Abbi são bem problemáticos (principalmente esses mais antigos em data de publicação) quando o assunto é machismo e relacionamentos bem duvidosos... que ainda assim eu amo. E por isso comentei sobre o prazer culposo (quem nunca?). Esse é o primeiro livro da série Sea Breeze, mas aqui no Brasil a série parou no segundo livro (que também li e que a resenha vai sair em breve). Temos nessa "nova" série todos os ingredientes que fizeram a outra série famosa da autora, que já citei, bombar, mas acho que depois de tantos anos lendo os clichês dela, eu esperava ou pouco mais. Não quer dizer que é ruim, ou melhor, pode ser que seja, mas eu esperava um pouco mais da escrita da autora (que tinha melhorado tanto na reta final da outra série e que até mesmo luta no livro para não ser problemática nos relacionamentos que escreve... e algumas vezes consegue) que no final o livro ficou com quatro estrelas. Importante lembrar que estamos falando de um livro para maiores de dezesseis anos.

Sadie se mudou para a cidade de Sea Breeze com sua mãe, que está grávida, pois as duas precisavam de dinheiro para pagar as contas e, por lá, a mãe dela tinha um emprego garantido como doméstica em uma casa de uma família muito rica. O problema, é que a mãe de Sadie não sabe o que a palavra responsabilidade significa e, como está entrando na reta final de sua gravidez (que poderia ter sido evitada) ela acaba se recusando a trabalhar e, com isso, sobra para a adolescente, que está de férias escolares, trabalhar no lugar da mãe. Em tese, o pessoal da casa não gosta que jovens trabalhem lá por conta de um dos chefes da casa, mas a menina se mostrou boa de trabalho e estava disposta a obedecer todas as regras muito bem para poder manter o emprego. O que estava acontecendo ali, de fato, era que a casa era de um dos astros do rock jovem mais famosos do mundo, Jax Stone. 

De primeira, Sadie realmente não vê nada demais no roqueiro famoso, mas ele logo se sente muito atraído por ela e todo o fato de que seria algo errado, uma vez que ela trabalhava para ele, torna tudo ainda mais atrativo para ele. Enquanto isso, Sadie conhece Marcus. Um jovem que também está trabalhando na mansão e que logo se apaixona por ela. Mesmo o vendo só como um grande amigo, ela fica bem dividida sobre tudo que está acontecendo. O verão vai passando e Jax acaba conquistando Sadie, mas eles sabiam que esse relacionamento tinha uma data de validade. Mais do que isso, Jax sabia que ela merecia alguém bem melhor que ele. O problema, é que a ligação deles é infinitamente mais forte do que imaginavam e toda a separação deixa ambos sem fôlego (hehe). Será que vale a pena lutar por esse relacionamento mesmo vivendo em mundos tão diferentes?

O livro tem aquela carinha de fanfic que eu pessoalmente adoro. Sabe quando tem um famoso para o meio, muitas tretas causadas por fofocas e jornais e tudo mais? Amo! Ao mesmo tempo, Abbi acaba forçando um relacionamento em que a personagem principal é muito boba. O mesmo que aconteceu em tantos outros livros dela (como o famoso Paixão Sem Limites). Sadie era muito esperta, trabalhadora e já tinha passado por muitas coisas, mas ao mesmo tempo em alguns assuntos ela parecia uma criança que ainda tinha muito para aprender, sabe? E, com isso, em muitos momentos Jax acaba parecendo tirar proveito do fato dela ser desatenta e distraída. O que me lembra, que ele já era maior de idade e ela não (mesmo sendo coisa de dois ou três anos de diferença, isso me deixou meio bleh durante toda a leitura). Inclusive, esse foi um dos livros que eu acabei torcendo contra o casal principal, mesmo sabendo que o Marcus teria um livro só dele depois, eu queria eles juntos. Porque ele era tão mais legal e com noção (e sobre o livro dele, bom, teremos outra resenha em breve). 

Já que estou problematizando mesmo, todo o drama da separação deles no meio da história (que acontece como o esperado em todo bom e velho clichê... e que está na sinopse) foi forçado num nível que está me fazendo pensar se troco a nota desse livro para três e meio (socorro) ou não. Sério, é algo muito complicado e que, junto com tudo que Sadie estava vivendo com sua família, fica ainda mais doido. Mas vou manter a nota (e parar de pensar nisso agora, rs). Enfim, um livro para quem ama clichês duvidosos (tipo eu, hehe) e está querendo ler algo leve, que não vai te fazer pensar muito e que, no final das contas, até que vale a pena.

SEM FÔLEGO
AUTOR(A): ABBI GLINES
EDITORA: ARQUEIRO
PÁGINAS: 272
SKOOB DO LIVRO.
MEU SKOOB.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

De Repente Adolescente (Vários Autores)

Adoro livros com vários contos assim dentro de um tema em comum. São leituras leves e que, normalmente, te fazem conhecer autores bem legais. No caso, eu já conhecia alguns dos autores, mas tive também muitas surpresas agradáveis por aqui. Temos um livro que foca nos dramas, amores e vivências no geral de um adolescente brasileiro e é uma delícia ler sobre essa época, mesmo já estando bem longe dessa realidade (hehe). Os contos são bem variados e as escritas e estilos também, o que garante que pelo menos um deles vai te prender demais e mais de um você vai gostar muito. Ao mesmo tempo, isso não garante que vai gostar de todos, não que não sejam bons, mas, como falei, os estilos são bem diferentes. No caso, eu gostei muito mesmo de dois dos contos, mas também gostei muito de outros quatro. Enquanto isso, os outros quatro foram leituras legais, mas não foram muito meu tipo. Juntando todos esses fatores, o livro acabou com quatro estrelas e meia (e com eu comprando livros dos autores que gostei mais dos contos também, rs). É uma leitura bem leve e divertida, além de ser indicada para maiores de onze anos (belezura).

Temos dez contos que, por caminhos diferentes, focam na vida do pré-adolescente e do adolescente na nossa realidade. Entre jovens que estão lidando com a separação e briga constante dos pais, jovens que estão se apaixonando pela primeira vez, jovens que estão lutando pelo que acreditam e outras coisas, temos até mesmo a formação de um estado brasileiro e as vivências de uma jovem indígena. Como falei, tem assunto para agradar tudo e todos e de uma forma bem leve. Como falar dos dez seria bem complicado e por serem contos tudo pode acabar virando spoiler, vou focar aqui nos meus dois favoritos: Agulhas e Bolinhas, do Vitor Martins e A Revolta dos Salgados, da Iris Figueiredo.

No primeiro citado (que é o último do livro) temos a escrita contagiante, leve e devorável do Vitor. Um conto LGBT+ focado nas primeiras descobertas de quem de fato você é e como tudo é tão simples e puro. Um menino que acaba indo aprender a bordar para lidar com todos os sentimentos que guarda dentro dele (inclusive, a perda de um ente muito querido) e por lá encontra bem mais que linhas e agulhas. Encontra algo que realmente gosta, um novo amigo e também o cachorro mais brincalhão do mundo todo. No segundo citado (que é o terceiro do livro), temos a história de uma jovem que quer salvar a biblioteca da escola e, para conseguir isso, acaba no meio de uma candidatura a representante de turma na escola. Uma eleição muito acirrada que acaba com compra devotos (com salgado da cantina!), muita parceria dos colegas de sala e muitos posts divertidos e trocas de mensagem, que deixam o conto devorável e bem delícia de ler. Sem esquecer que todo o envolvimento da biblioteca na história deixa um quentinho no coração.

Como sei que são curiosos (como eu), os outros contos que gostei muito foram: Eu Estou Aqui (Clara Alves), A Última Suspeita (Camila Fremder), Casa Nova (Keka Reis) e Segunda Chance (Lully Trigo). Os outros são tão bons quanto, mas, como comentei, não foram muito meu estilo de leitura (e isso acontece!). E realmente uma leitura muito leve e rápida, além de que vale a pena para todas as idades. Para quem está vivendo esse momento e para quem já viveu (meu caso!). E aí, já leu? Qual foi o seu favorito? 


de repente adolescente
AUTOR(A): vários autores
EDITORA: seguinte
PÁGINAS: 256
SKOOB DO LIVRO.
MEU SKOOB.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Minha Versão de Você (Christina Lauren)

Esse livro fez parte da leitura coletiva de junho aqui do blog e tem um vlog de leitura (sem spoilers) dele e uma LIVE (com spoilers) também e tudo lá no canal. No começo do ano me indicaram esse livro e logo baixei ele pelo Unlimited do Kindle, mas a verdade é que a capa não me chamou muito a atenção e ele ficou ali por um bom tempo esperando. Até que quando fui escolher a leitura coletiva do mês de junho, eu li com mais calma a sinopse e achei que seria uma escolha perfeita para o mês do orgulho. De fato, foi. No final das contas, o livro que é para maiores de quatorze anos, ficou com quatro estrelas, mas não vou negar que já pensei muitas vezes em subir para quatro estrelas e meia. Aí eu lembro que o começo foi beeeeem enrolado e volto com a ideia e, por isso, fechamos com quatro mesmo (haha). Tirando esse começo que comentei, o livro é completamente devorável e muito bem escrito. Trata de assuntos muito importantes e tudo de uma forma muito responsável e muito natural também. Temos um livro LGBTQIAP+ que fala sobre descobertas, primeiros amores, corações quebrados e religião. E, como falei, tudo de uma forma muito bem pensada (falei muitos sobre isso na live que teve). Enfim, se joga nessa leitura que te deixa com o coração bem quentinho no final das contas e ainda te faz pensar sobre muitas coisas pelo caminho.

Tanner sempre lidou muito bem com sua bissexualidade e sua família sempre viu isso de uma maneira natural (como de fato é), mas precisou voltar de certa forma para o armário quando se mudou para uma cidade pequena com a família por conta do trabalho de sua mãe. Em Utah, numa cidade feita basicamente de mórmons, ele não tinha como colocar tudo que sentia para fora sem ser colocado para baixo por isso. Por isso, ele estava contando os dias para se formar no ensino médio e ir para uma faculdade em que poderia voltar a ser totalmente quem era. O que ele não imaginava, era que teria uma pedra em seu caminho no formato de um seminário da escola. Uma matéria que levava os alunos a escreverem um livro em quatro meses (!!!!) e cujo a nota importava demais. Onde ele tinha ido se meter? 

Ele não tinha ideia do que escrever e nem mesmo de como começar, tinha ido parar ali para acompanhar sua melhor amiga, mas as coisas estavam saindo do controle. Foi aí que ele conheceu Sebastian. Um ex-aluno do curso em questão que tinha escrito um livro tão fantástico que seria até mesmo publicado e, a convite do professor, tinha voltado para auxiliar os alunos nesse projeto. Escrever um livro era bem complicado, mas se apaixonar por Sebastian foi bem rápido. O problema era que Seb era filho do bispo dos mórmons na cidade e tinha muita dificuldade em aceitar o que estava sentindo. Ele também estava muito apaixonado por Tanner, mas tudo dentro dele e tudo que ele entendia da vida gritava que aquilo era errado. Ele precisaria entender de fato quem é para poder começar a entender o que ele queria no seu futuro. Enquanto isso, Tanner começa a escrever uma autobiografia sobre como está sendo se apaixonar... mas em algum momento ele precisa entregar esse livro.

Tanner é um personagem principal fantástico e como sempre teve um entendimento muito legal sobre sua bissexualidade, ele consegue passar algumas ideias muito importantes e legais durante o livro. E com isso precisamos comentar sobre a relação incrível que ele tem com os pais e o amor, carinho e apoio que ele recebe dos dois. Por outro lado, vemos tudo que Sebastian passa com sua família e tudo que ele sempre acreditou que era certo. A batalha interna que ele passa durante o livro te faz ter vontade de entrar na história só para dar um abraço nele. A melhor amiga de Tanner, Autumn, também aparece bastante e merece ser citada aqui, mas ela também faz parte da cena mais nada a ver com nada do livro e eu precisava deixar isso registrado (mesmo sem explicar para não dar spoilers, rs). Eu amei a irmã do Tanner também e acho, inclusive, que ela merecia ter tido mais destaque. Ela era uma ótima personagem secundária. Bem debochada e eu adoro isso (e sempre comento, vocês ainda me aguentam?).

Sou católica e, por mais que minha religião vá por um caminho bem diferente dos Mórmons do livro, amei a relação que Sebastian tem com Deus e concordo demais com muitas falas que vemos no livro sobre o amor de Deus e de tudo sobre isso. Não achei que foi algo que faltou com respeito, muito pelo contrário, é algo muito bem escrito... por mais que em alguns momentos o livro perca o ritmo (no começo, como comentei) por parecer um manual do que é ser mórmon (muitas explicações, sabe?). Entendo a necessidade de explicar muitas coisas, uma vez que é uma religião pouco conhecida, ainda mais por aqui, mas tinha hora que era um pouco demais. Em resumo, eu adorei o livro e foi uma leitura muito proveitosa. Vi muitas coisas com muitos olhares diferentes e acredito que isso tenha feito tudo valer ainda mais a pena. Adorei o final, por mais que fique algumas coisas em aberto. Indico muito a leitura e fiquei curiosa para ler outras coisas das autoras (que assinam como se fossem uma pessoa só, mas são duas, rs).


minha versão de você
AUTOR(A): christina lauren
EDITORA: Hoo editora
PÁGINAS: 320
SKOOB DO LIVRO.
MEU SKOOB.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

A Voz do Arqueiro (Mia Sheridan)


Esse é mais um dos muitos livros que pode te afastar pela capa e, de fato, ele é um livro com conteúdo para maiores, mas vai tão além disso. Nunca tinha lido nada da autora, mas me surpreendi demais com a escrita leve e com uma vibes de Brittainy C. Cherry (lembra muito o enredo de Vergonha, por exemplo) e Colleen Hoover. Um livro muito devorável, mas que também trata de assuntos sérios e, em muitos momentos, acaba com seu coração e você ama cada momento disso. Pensando nisso tudo, é claro que o livro acabou com cinco estrelas e eu adorei a leitura. O livro faz parte de uma série que se inspira nos signos do zodíaco e nesse aqui, temos a mitologia de Sagitário. Antes que eu me esqueça, temos também mais um livro que o nome faz muito mais sentido em inglês (mas que foi traduzido de forma que perde um pouco desse sentido). Archer's Voice, do original, tem muito a ver com o signo sim (e, com isso, o "arqueiro" faz sentido), mas tem muita ligação com o nome do personagem principal que é Archer e tem dificuldade de fala e esse é um dos muitos assuntos abordados na história. Ok, deixando meu lado gramatical (chato), vamos seguir com a vida. Lembrando que é um livro para maiores de idade, ok?

Bree passou por muitos traumas nos últimos meses e acabou perdendo um pouco da sua alegria de viver. Tentando resgatar o seu amor pela vida, ela acaba embarcando em uma viagem sozinha para uma cidade pequena do Maine, de onde ela tinha boas lembranças de quando era criança, para viver um pouco sem ninguém conhecendo sua história. Com uma casinha perto do lago, ela decide ficar um tempo por ali e ver no que isso poderia dar. Em pouco tempo, ela acaba percebendo que a cidade pequena tem muita gente que gosta de saber da vida de todos por ali e, principalmente, gostam muito de falar de Archer, o grande mistério do lugar. Um cara que vive na sua e não conversa com ninguém, mas que faz parte da família que é dona de basicamente todos os imóveis da cidade. Um dia eles se encontram por acaso e ela fica completamente curiosa e encatanda para conhecer mais sobre ele.

Assim como Bree, Archer já passou por muitas coisas em sua vida e carrega traumas que nunca conseguiu entender ou trabalhar. Além disso, por conta de uma das coisas que passou quando era mais novo, ele não consegue mais falar e poucas pessoas se esforçam para entendê-lo. Por sorte, Bree conhecia muito bem a linguagem de sinais, que usava com seu pai, e logo de cara decidiu que faria companhia para o grande mistério da cidade. Os dois vão lidando com as cicatrizes que os trouxeram até aquele momento e Archer vai entendendo que mesmo que não consiga falar com sua voz, não precisava viver uma vida silenciosa e afastada. Bree logo conquista o carinho de muitos na cidade e, até mesmo, chama a atenção de um dos policiais que trabalha ali, que por um acaso é primo de Archer e não estava nada feliz de ver que seu primo estava tendo mais atenção que ele. Entre muita aprendizagem, choro, carinho e um amor que é capaz de salvar, vamos vendo essa história se desenvolver.

Como Archer foi criado quase que escondido da sociedade, ele aprende muito sobre muitas coisas com Bree de um jeito leve e que deixa a história absurdamente fofa. Bree é uma personagem absurdamente forte e que é muito legal de acompanhar o crescimento dela durante a história. Exatamente por isso, comparei esse livro com os livros de Colleen e Brittainy. Além do fato claro de que duas pessoas completamente quebradas por dentro se sentiram atraídas e se apaixonaram, tem isso. O clichê dos clichês que quando bem escrito é um dos meus favoritos (e aqui foi maravilhosamente bem escrito). Todo o drama secundário com a família de Archer e a venda das terras da cidade e o passado de Bree com o que aconteceu com sue pai e com ela mesma (que são fatos diferentes e que, diferente de muitos outros clichês, não tem ligação) também foram muito bem escritos e se encaixaram muito bem dentro de toda a história. Também gostei demais do final, mas acredito que ele não vai agradar todo mundo. E isso é o máximo que posso falar sem dar spoilers, rs. Enfim, um clichê raiz para quem gosta de um drama com personagens com passados turbulentos e muito amor. Se joga.

A voz do arqueiro
AUTOR(A): mia sheridan
EDITORA: arqueiro
PÁGINAS: 336
SKOOB DO LIVRO.
MEU SKOOB.