sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Na Estante: Quando a Noite Cai


Sabe aquele livro que era muito esperado? Então. Esse foi um livro assim. Já tem um bom tempo que acompanho a carreira da autora Carina Rissi e sou fã de tudo que ela escreve (provavelmente até a lista de compras). Assim como também já tem um tempo bom que ela comenta sobre um livro que ela queria muito lançar que se passava na Irlanda. Era tanta curiosidade que nem cabia em mim. Foi aí que, ano passado, eu participei de uma Bienal (em Juiz de Fora, tem vídeos lá no canal) e tive a honra de estar lá como imprensa, até hoje não acredito na sorte que tive. Foi exatamente por isso que, nessa loucura toda, acabei entrevistando a Carina (ahhhhhhhh). E adivinha sobre o que ela falou? Exatamente. O bendito do Irlandês e o seu livro, que, na época, nem nome tinha. Quem quiser ver esse momento lindo é só clicar aqui. Ok, menos blá-blá-blá e mais resenha, eu sei. Mas é que eu precisava me explicar. Ah, para completar, o meu livro é um presente (obrigada, mãe) e veio autografado, sei lá, achei digno comentar isso (haha). Foco, Izabela. Ok. Eu enrolei muito para ler o livro. Oi? Como assim? Você espera um livro mais de um ano para depois enrolar a leitura dele? Sim! E é por isso que precisei fazer toda essa explicação aí de cima. Viu? Fez sentindo. Eu estava com medo, afinal, havia esperado muito pela história e não queria quebrar minha cara. Não quebrei. E li em um começo de madrugada. Direto. Sem parar. Uau. Pensa num livro devorável que, por mais que seja bem clichê, te deixa preso do início ao fim. Cinco lindas estrelinhas e um coração de favorito. Agora posso contar um pouco do livro e o que achei sobre ele. 

Briana é um imã de desastres. Se alguma coisa pode dar errado, vai ser com ela. Para piorar, não consegue ficar mais de quatro dias em um emprego e precisa muito do dinheiro, afinal, a pensão de sua família está falindo e eles podem perder tudo a qualquer momento. Sua irmã, a doidinha Aisla, entre uma prova e outra da faculdade ficava por conta de achar vagas de emprego e brincar de estilista da irmã. Enquanto que a mãe das duas tentava manter a casa e o negócio delas de pé. Tudo estava dando mais errado que o comum e, para complicar ainda mais a vida de Briana, ela vivia tendo sonhos estranhos sobre lugares que nunca nem tinha visitado. Toda noite, desde o seu aniversário de dezoito anos, ela sonhava ser uma princesa irlandesa, Ciara, que estava fugindo de um grande mal, mas que era salva por um grande guerreiro, Lorcan. Ela sonhava como se estivesse acompanhando uma série que sempre reprisava, mas sempre perdia o último capítulo. Sonhava tanto a ponto de se apaixonar pelo guerreiro irlandês. Já era difícil demais viver a realidade, parecia mais simples tentar se aproveitar dos sonhos.

"(...) eu estava desempregada, prestes a ver minha
 família ser jogada na rua e 
apaixonada por uma fantasia. Argh."
Página 21

E é aí que tudo vira de cabeça para baixo na vida dela quando, depois de perder mais um emprego, ela é quase atropelada por um caro muito charmoso. Só isso já seria uma grande loucura, mas a grande surpresa para Briana foi dar de cara com o guerreiro de seus sonhos ao olhar para o motorista charmoso. Era Lorcan, parado ali na frente dela. Claro, ele não estava com roupas medievais e, muito menos, estavam na Irlanda, mas era ele. Ela tinha certeza, afinal, sonhava com ele toda noite. Só que não, não era seu guerreiro, era só o dono da empresa que ela quase destruiu, sem querer, é claro, ao tentar uma vaga de emprego. Gael era um milionário irlandês que tinha muita sorte no trabalho e na vida, exatamente o oposto de Briana. Espera, ele era Irlandês? Isso só podia ser uma palhaçada do destino. Depois do quase atropelamento, Gael se sente culpado e acaba contratando Briana para trabalhar na empresa. Era o que ela precisava, o dinheiro da hipoteca da pensão. O mais difícil não seria o trabalho, mas sim não destruir nada no escritório e, de uma vez por todas, entender que seus sonhos eram apenas sonhos e não podia misturá-los com a realidade. Mas será mesmo? Seria impossível não se apaixonar pela versão de carne e osso do amor de seus sonhos e, para completar, tudo que Briana sempre sonhava estava começando a parecer sua realidade. Nada fazia sentido, mas ela logo descobriria que todo o conto de fadas podia ser real, ou quase isso, e que tudo estava em risco, até mesmo todo o azar que ela sempre teve.

"Enquanto Ciara continuava amando Lorcan a cada vez 
que a noite caía, eu fui me apaixonando 
por Gael a cada vez que o sol nascia."
Página 427

Cara. Tipo assim, cara! Carina se superou num grau que não sei nem explicar, sério. O livro é fantástico, ponto. Rico em detalhes de forma que você realmente se vê na Irlanda medieval enquanto que também se vê na vida dos personagens. Uma história emocionante, clichê na medida certa e com piadas leves e muito inteligentes (inclusive, algumas que rementem à outros livros da autora). Temos lendas, emoção e muito amor em forma de livro. Valeu a espera e até mesmo a enrolação para ler. Afinal, se tivesse lido antes, teria lido picado por falta de tempo e, ontem, consegui ler tudo de uma vez só. A parte clichê que citei, é porque é muito previsível todo o desenrolar da história, mas é isso que torna ela tão devorável. Eu juro. Além do que, mesmo já sabendo e imaginando o final eu perdi o ar muitas vezes durante a leitura. O livro também mistura os sonhos da personagem principal com a realidade que ela está vivendo, no começo, eu não tinha gostado disso, mas aos poucos vi como aquilo seria importante para história e logo me apeguei aos sonhos também.

Gael é um personagem maravilhoso, ele lembra muito outra cria da autora, o cavalheiro Ian Clarke e, só com isso, já dá para imaginar o quão maravilhoso ele é. Eu simplesmente amei a Briana e me diverti demais com toda a falta de sorte dela (que no final das contas tem todo um motivo para existir). Amei também os personagens secundários que, mesmo aparecendo pouco, roubam a cena e fazem sentindo na história. Um ponto para a senhora Lola, a única moradora da pensão que roubava a cena quando aparecia. Enfim, se você gosta de emoção, romance, história e lendas medievais e muitas risadas e suspiros durante uma leitura, esse livro é uma leitura obrigatória para você. É de se apaixonar pelos personagens, pelos lugares e por cada coisinha ali descrita. Sou suspeita para falar dos livros da autora, mas esse realmente merece um destaque.

Quando a Noite Cai
Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
Páginas: 448
Skoob do Livro.
Meu Skoob.

domingo, 10 de setembro de 2017

Na Estante: Entre o Último e o Primeiro Dia


Olha quem está de volta! Sim! As resenhas aqui do blog, afinal, euzinha nunca saí daqui, não é mesmo (vide os vídeos do canal, hehe)? E elas não só voltaram, como voltaram com tudo! Hoje vamos falar de um conto que foi escrito por uma das minhas autoras favoritas (quando o assunto é livros nacionais) e faz parte de uma série que amo muito. A autora em questão é a Bianca Briones e a série é a Batidas Perdidas. Se vocês ainda não leu a série pode achar algum spoiler por aqui, mas pode ficar tranquilo quanto o conto, afinal, ele foi escrito para não ter spoilers do resto da série, o que na minha opinião tirou metade da graça dele, mas vamos por partes. Eu li muito rápido, afinal, são poucas páginas, mas isso é normal para mim. Deitei para ler enquanto meu cabelo secava e, quando terminei, meu cabelo ainda estava pingando (haha). O conto ganhou quatro estrelas e sim, até eu estou chocada com isso. Afinal, faz parte de uma série que amo e foi escrito pela Bianca e blá-blá-blá! Eu sei. Eu sei. Mas, como já disse, vamos por partes. 

Nesse contos revemos todos os personagens dos livros já lançados da série, mas quem fica por conta da narrativa é a Vivi e o Rafa (casal do primeiro livro, As Batidas Perdidas do Coração). Festas de final de ano sempre reúnem todos da família e agregados. O natal já tinha passado e tudo estava relativamente bem no núcleo familiar dos Villa e Albuquerque (e cia). Faltava apenas o ano novo e é aí que a bagunça começa. Ninguém sabe ao certo onde vai ser a comemoração, quem vai, quem não vai e todo o drama relacionado a isso. É aí que Vivi e Rafa começam a organizar tudo e decidem muita coisa no lugar de todo mundo. A festa seria na casa de praia da família e todos teriam que ir, sem desculpas e muito menos sem draminhas. A piada era boa, afinal, o que mais sabem fazer nessa família é criar desculpas e dramas. E é assim que vemos a festa, muita comemoração, mas muito drama também. Dúvidas sobre o futuro, medos com relação a família e filhos, casais que não decidiram ainda se são casais e tudo mais em uma única casa.

"Sobrevivemos a mais uma ano e, não importa
 o que aconteça, sobreviveremos ao próximo também."

Isso é tudo que posso falar sem estragar a história, afinal, é um conto e não tem muito mistério na história. É aí que entra a nota que dei para ele. Pensei em dar cinco, afinal, a escrita, como sempre, está devorável e o conto é gostoso de ler, mas tem um pequeno problema, ele é meio (muito) inútil, sabe? Sei que foi apenas um "presente" da autora para quem gosta da série (para ajudar na espera dos próximos lançamentos), mas, mesmo assim estava esperando mais. Na verdade, o próprio conto me fez esperar mais. A forma que a autora escreve, não só nesse conto, te faz esperar por algo ali na próxima esquina. Você fica esperando algo muito uau acontecer, por conta de como o livro/conto é narrado e aí, nesse caso, quando eu achei que o trem ia para frente, ele parou e a história acabou.

E aí com essa de evitar spoilers (oi?) a autora também deixou de aprofundar dentro de sua própria história, o que é mega bizarro. Ok, teve um epílogo (sim) de duas páginas para quem já leu os livros e esperava algo a mais, mas, mesmo assim, foi bem bobinho e foi meio que "toma aqui". Ai, detesto falar "mal" de um livro/conto, ainda mais fazendo parte de uma série que gosto tanto e sendo de uma autora que adoro, mas eu não tenho como mentir aqui, vocês sabem.

De forma geral, eu indico para quem leu a série, realmente gostou e quer um pouco mais dos personagens. É como visitar amigos que não vemos já tem um tempinho e não dá para negar que isso é bom. Tem também o fato de que a escrita é maravilhosa, só não pode ir esperando grandes revelações e momentos emocionantes (como no resto da série). Enfim, acho que é isso.

Entre o Último e o Primeiro Dia
Autora: Bianca Briones
Páginas: 60
Skoob do Livro.
Meu Skoob.